Funk
Anuncie aqui
WebMor - Soluções na internet

Ouvintes de funk crescem mais 200% em 2017

Foto: divulgação MC Lan

A crise econômica, que se abateu sobre o Brasil em 2014, afetou o mercado da música e reduziu as cifras do chamado "funk ostentação", subtipo conhecido por apostar em letras que valorizam bens como carros importatos e roupas de grifes internacionais. Ainda assim, o estilo é um dos que mais cresce no Brasil. Só perde para o Sertanejo.

A análise vem da maior plataforma de música em streaming do mundo. Só em 2017, o número de ouvintes de funk no Spotify, cresceu 276%.  Bruno Telloli é responspável por todas as playlists da América Latina. No Brasil, das cinco músicas mais tocadas, três são funk. E, no mundo, o funk está ganhando espaço

"Hoje, por exemplo, no Top 200 do Spotify são quase 35 arstistas de funk. Às vezes aparece algum artista no Top de Portugal, Estados Unidos e Espanha. Temos playtlists com quase um milhão de seguidores, o que é muito pro Spotify Brasil." 

Alguns artistas cresceram muito mais, como é o caso do paulista, MC Fioti. O número de ouvintes dele aumentou 965% desde janeiro. Para ter a ideia da procura pelo funk, há artistas no Spotify com mais ouvintes que Caetano Veloso e Chico Buarque. É o caso de MC Lan, com mais de dois milhões e meio de ouvintes mensais. O produtor dele, Rodrigo Pereira, não revela o lucro da empresa, mas diz que já chegou aos dois dígitos de milhão. Aos 26 anos, Lan, ex-morador de rua, hoje é a principal fonte do negócio. 

"Hoje o Lan ganha quase o que um jogador de futebol no Brasil ganha. Tem jogador no São Paulo e no Corinthians que não ganha o que ele ganha. Hoje ele tem uma casa em um condomínio fechado, com piscina. Hoje não vai menos de duas mil pessoas só pra ver o Lan em um show." 

A perspectiva de lucrar - e muito - com as letras compostas para animar festas entre amigos, tem levado muitos MC's a procurar produtoras especializadas em funk. Em São Paulo, a RW é uma das maiores. Os donos chegaram a comprar uma mansão na zona Norte para servir como uma espécie de QG musical. Nela, além da gravação e mixagem das músicas, um espaço de lazer com piscina e churrasqueira serve como ambiente de criatividade dos funkeiros.

Aos 27 anos, MC Rahell saiu de Belo Horizonte, onde contava as moedas para comprar pão, e se mudou para São Paulo. Acreditou no produtor, que viu nele um talento para a composição. Hoje, com uma média de dois shows por dia, Rahell fatura até R$ 500.000 por mês.

"Hoje eu posso fazer uma compra de até mil reais e tá tranquilo pra mim. Eu faço em média uns 50 shows por mês, com um valor de 10 a 15 mil reais de cachê. Tem meses que eu nem durmo direito de tanto show que faço." 

Dentro da produtora, o valor de contratação de cada artista varia de acordo com a quantidade de hits emplacados. O menor cache fica na casa de R$ 1.000. Nos shows, o rendimento é dividido entre a equipe, que pode chegar a 18 pessoas, entre seguranças, motorista e DJ's. Esse é mais um dos motivos daqueles que defendem o funk como atividade que movimenta economia, caso do carioca MC Sapão.

"O funk hoje é um dos ritmos que está projetando pessoas no mundo artístico, pessoas que não tinham a menor expectativa de vida. A minha equipe, por exemplo, tem 15 ou 16 pessoas. Hoje o funk gera emprego, sim." 

Além do faturamento nos shows, os músicos lucram com os direitos autorais. De acordo com dados do Ecad, entre janeiro e março de 2017, o funk liderou a lista de músicas mais executadas em bares e casas noturnas de todo o país. Na lista dos 10 artistas que mais lucraram no primeiro trimestre de 2017, três são funkeiros. O primeiro colocado da lista é  MC G15, do hit Deu Onda. Ele superou a marca de nomes como Djavan e Jorge Ben Jor.

Fonte / Créditos: CBN Cultura

2 semanas atrás   Tags : funk

Comentários