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Sem opções de lazer, jovens na periferia de SP aproveitam "baile funk" em escolas na madrugada

Jovens de Brasilândia, na zona norte da capital, aproveitam a balada promovida pelo governo na escola


O DJ solta o funk que bomba nas caixas de som embaixo das luzes estroboscópicas e coloridas. A galera na pista pira. Sabe todas as rimas e capricha nas coreografias. A maioria é adolescente, na faixa dos 15 aos 18 anos de idade. Em volta, uma molecada improvisa manobras de skate, outros conversam em roda, enquanto na parede ao lado alguns tantos fazem grafites. Já é 1h30 de uma madrugada de sábado fria e chuvosa em setembro, e ainda não parou de chegar gente.

A cena poderia ser de qualquer balada de jovens da capital -- ou algum comercial de TV que pretendesse simular o que é uma --, mas aconteceu dentro da Escola Estadual Maria Zilda Gamba dos Reis, no Jardim Carombé, uma encosta larga e alta na Brasilândia, extremo da zona norte da capital. A escola fica lá em cima, no topo de uma ladeira que, na chuva e dependendo do carro e de quantos ocupantes ele carregar, não é possível subir com o veículo. Do lado de fora, uma ambulância e um carro da PM estão de prontidão para qualquer emergência.

A "Balada Campeã", como foi batizada, é uma iniciativa do governo do Estado de São Paulo para tentar tirar jovens dos pancadões de rua durante a noite e madrugada aos finais de semana em comunidades carentes da periferia de São Paulo. Além de música, dança e grafite, oferece também para os jovens um campeonato masculino e feminino de futsal. Nesta primeira edição, acontece em mais três escolas em comunidades carentes fora Brasilândia: Rio Pequeno, Paraisópolis e Heliópolis.

Juntas, as quatro regiões da cidade abrigam pelo menos 500 mil habitantes dos poucos mais de 12 milhões que vivem na capital, de acordo com projeção do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para 2017. Em comum, a longa distância do centro, altos índices de violência e opções de lazer para jovens, crianças ou adultos, praticamente inexistentes (fora a rua e alguns poucos aparelhos públicos como praças e parques).

Lançada com estardalhaço -- além do governador Geraldo Alckmin participaram do evento inaugural em área nobre de São Paulo, realizado no Museu do Futebol, personalidades do esporte como os Cafú e Marcelinho Paulista (futebol), Minotauro (MMA), Paula (basquete), Marcelo Negrão e Maurício (vôlei), além de Falcão (futsal)-- a Balada Campeã é realizada em oito finais de semana consecutivos até o dia 11 de novembro, sempre a partir das 22h.

Em Brasilândia, a infraestrutura montada é simples -- monitores e profissionais do atendimento psicossocial, tendas, um palco com equipamentos para o DJ, luzes, caixas de som e microfones, latas de tinta e acessórios para os grafites, bolas, redes e uniformes para o futebol. Basicamente é isso, já que os food trucks que deveriam estar lá não foram -- mas parece o suficiente para deixar a galera feliz. Nesta noite, algo entre 200 e 300 jovens participaram do evento na Brasilândia.

Afinal, eles não precisam de muito para se divertir: um local adequado, música, alguma coisa para fazer e os amigos junto. O resto é com eles. É o que pensa o estudante Alan Henrique, de 17 anos. "Estou achando legal, muito legal", disse. "Aqui é difícil ter um lugar legal para reunir os amigos, ouvir uma música, conversar", explica. 

Fonte: Uol Notícias

um ano atrás   Tags : baile funkescola

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